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sábado, 26 de janeiro de 2013

CURVELO: A PRAÇA.

A PRAÇA DOS TROPEIROS*
Foto Marina da Silva
Marina da Silva

Desde que se entendia por gente, Sofia nunca ouvira ninguém chamar a pracinha assim, de praça dos tropeiros. Toda cidade conhecia e a chamava de praça Benedito Valadares, homenagem feita a um político do estado pelos políticos da cidade. Mas quem passava por ela, bem no centro e no meio do caminho para várias outras cidades, mesmo sem querer, ficava intrigado com os monumentos ali colocados. Uma fonte luminosa, um laguinho com peixes e luzes coloridas, um enorme leque de concreto e abaixo dele uma estrutura em forma de um pequeno palanque gradeado, ligado por um passadiço ao grande caldeirão de ferro e tudo rodeado por um belo jardim de formas curvas e sinuosas.
Foto Marina da Silva

Mas o que estes símbolos significavam? Por que estavam ali? Era somente esquisitice de gente do interior?
Alguns riam da pracinha, pouco se falava ou se fala dela nas escolas; e em meio ao descaso, descuido e desleixo, a coitada vem sendo maltratada, escangalhada e com ela, boa parte do patrimônio e da importância histórica da cidade. Caminho dos tropeiros a época do ouro e dos diamantes,  o vilarejo surgiu com a fundação da igrejinha de santo Antônio à beira da estrada, por padre Antônio de Ávila Corvello, e desse patrimônio nem sequer se tem o rastro.
Foto Marina da Silva


Por esses caminhos passavam ouro, diamantes, pedras preciosas, escravos, mascates, o gado vindo da Bahia e muitas outras preciosidades e se dirigiam para o Registro da Coroa portuguesa, hoje atual cidade de Contagem.
 Foto Marina da Silva

Idealizada nos anos 70, a pracinha veio contar um pouco dessa história da cidade, que surgiu por causa dos tropeiros, que paravam ali por perto, para o descanso das tropas e do gado, muitas vezes embaixo de cajueiros, mangueiras, jenipapeiros, pequizeiros, pau d’óleo e tantas outras árvores do nosso belo cerrado, ali representadas pelo grande leque de concreto armado. A fonte e o laguinho representam os vários rios, córregos e riachos e a fartura de água e peixes.
Foto Marina da Silva

 Já o caldeirão simboliza o prato feito pelos peões, o feijão tropeiro; uma deliciosa mistura de feijão roxinho, torresmo, lingüiça, ovos e farinha de mandioca, saboreada com couve assustada, cortada bem fininha. O famoso feijão tropeiro que encanta os turistas na maior festa de forró do estado, que teve seu primeiro evento em 1980, na pracinha Benedito Valadares.
Assim como a igrejinha de santo Antônio, a pracinha vem sendo esculhambada, desprezada no seu valor histórico por várias administrações da cidade. É um patrimônio agonizante, pedindo um pouco de atenção, de carinho.
O que Sofia aprendeu no grupo escolar Monsenhor Rolim, hoje desativado, sobre a pracinha, precisa ser resgatado antes que se perca de vez o maior patrimônio da cidade.
Curvelo tem seu próprio hino**, um bonito canto de amor a terra morena e querida, a flor do sertão, que perdia muito de sua beleza por ser um canto forçado na obrigatoriedade geral dos muitos anos de governo dos militares.
Foto Marina da Silva. A praça ainda guarda muitos encantos e lembranças como os desfiles de carnaval e as comemorações do 7 de setembro.


A pracinha anda descuidada, suja, perdeu muito do seu traçado original e teve seus belos jardins violentados por reformas desorientadas. As suas graciosas curvas por onde serpenteavam as crianças nas noites de domingo, foram retificadas. Foram deitados abaixo os nichos e recônditos formados pelas belas folhagens, aonde beijos, abraços, carícias e juras de amor eram trocados pelos namorados.
Uma maluquice imperdoável destruiu os jardins. Imensas e desproporcionais árvores substituíram as plantas anteriores acabando de vez com o namoro escondidinho e os beijos roubados. Alargou-se a passagem central, muito disputada e perderam-se os encontrões entre candidatos a namorados. Muitos namoros começavam assim, naquele quase estreito de Gilbratar entre o leque e uma das sinuosidades.
Foto Marina da Silva: Cine Virgínia, patrimônio histórico que voltou as mãos do povo!

Ah pracinha! Numa cidade pequena como aquela, não tinha Fantástico que competisse com a missa das sete, com as sessões do cine Virgínia e os volteios e mais volteios pela praça. E a música então? Sim havia caixas de sons espalhadas em cada nicho de plantas. Ouvia-se,  a rádio inconfidência no cair da tardinha, o “Good time” da BH FM e levava-se fitas cassetes para serem tocadas até as dez da noite. Milton, Chico, Caetano, Gil, Simone, Betânia, Gal, Belchior, Fagner, a Cor do Som e o famigerado Raul Seixas,, a metamorfose kafkania ambulante na sopa das "bestas fardadas"!
A cidade tinha poucos pontos de diversão e os melhores ficavam ao redor da praça. O magnífico cine Virgínia, o Curvelo clube e seu acesso restrito aos brancos ricos da cidade, os bares e botecos como a Sheila, o Cabana, o Carrancas. Havia ainda a esquina da sorte, a farmácia Brasil, do senhor Afonso, a sorveteria, o salão Paulista, a casa Mazinho.
Foto Marina da Silva. Igreja de Santo Antônio, o padroeiro de Curvelo.

Para qualquer parte comercial da cidade que se ia, o trajeto pela praça era quase inconsciente e também era o ponto obrigatório aos domingos depois da missa das sete. Cada morador tinha seu lugar preferido. As crianças eram donas do leque, do passadiço até ao caldeirão, da rampa de acesso ao palanque, de toda a parte baixa do lago próxima à fonte luminosa. Os namorados e os que apenas flertavam, ocupavam os nichos mais escurinhos, junto às caixas de som, no interior da praça. Os casados, a parte central, vigiando as crianças que corriam inquietas por todos os lados. Os solteiros, rapazes e moças ocupavam todos os outros espaços, dando volteios sem fim, gastando muita sola de sapato. O ritual era sempre o mesmo. Vestia-se a melhor roupa de domingo, e após a missa, iniciava-se as intermináveis voltas na praça. Rodeava-se, atravessava-se pelo seu centro, de baixo para cima, de cima para baixo, com o objetivo de ver gente, flertar namorados, encontrar amigos, bater papo.
Foto Marina da Silva

Hoje impera o descuido e o desrespeito ao patrimônio histórico. O lago precisa de limpeza e reparos, anda sempre sujo e não se tem notícia dos peixes que ali nadavam. A fonte, Sofia não sabe se ainda funciona. O lugar perdeu seu encanto, seu charme e com ele foram-se os bares. O cinema não agüentou a concorrência da tv, do vídeo, da Universal.
Mas o que aconteceu que levou a praça ao descaso? O que quebrou o encanto das tardes de outono, das belíssimas noites frias, estreladas e enluaradas, do inverno; do calor, sempre a pedir picolé de tamarindo, do verão; do florido muito rosa, branco e lilás, da pracinha na primavera?
Sofia lembra-se bem. Um dia calaram a voz da praça! O terror espantou as famílias, o medo encheu as salas de aula. Era o tempo da ditadura, que se iniciara em março de 1964. Sofia acabara de nascer e crescia aprendendo a temer os comunistas, que comiam criancinhas, não acreditavam em Deus e ainda por cima queriam as terras dos muitos fazendeiros da sua cidade.
Em meados dos anos 70, foi criada a pracinha, homenageando a história da fundação da cidade, na rota dos tropeiros. 
Fonte: galeria de fotos do grupo Filhos de Curvelo no Facebook


Era uma linda praça, com fonte de água, colorida por lâmpadas verdes, azuis, vermelhas, amarelas, que era ligada sempre aos domingos, após a missa das sete na matriz de Santo Antônio. Tinha lindos jardins, nichos formados por belas folhagens e um moderno sistema de som que sempre tocava a rádio Inconfidência, a BH FM, de onde chegavam as notícias e o som de Fagner, Belchior, Raul Seixas, Chico Buarque e tantos outros.
Músicas que instigavam, mexiam com a imaginação entorpecida pelo medo. Medo da cabeça raspada, da gilete ou do cigarro que mutilava o bico do peito, do pau-de-arara, do choque elétrico, da agulha debaixo da unha, dos afogamentos. Contra o terror da ditadura as famílias criavam a educação terrorista e do medo. As crianças levadas, arteiras, eram comunistas, como o irmão de Sofia, que adorava Raul Seixas.
Sofia gostava do Raul, porque seu irmão comunista, seu pai, a cidade inteira também gostava. E levava-se fitas cassete do Raul para o zelador tocar na praça. E era uma música linda, que punha a gente a pensar.
Mas pensar estava proibido e falar então? Nem pensar! E uma noite explodiram as caixas de som da praça, calando Raul Seixas e todos os que achavam que podiam falar. Alguém decretou que o silêncio e o voltar para casa logo após a missa, era o mais seguro para a cidade e para a nação. Conta-se que o autor de ato tão bárbaro foi um policial.
Depois da explosão a praça nunca mais foi a mesma; a música nunca mais tocou. Calaram de uma só vez, Gilberto, Caetano, Chico, Raul, a cidade.
E este não foi o pior atentado contra a praça! Muitos outros foram cometidos a partir de então, por gente moralista, inculta, desinformada, medíocre!. Mexeram no traçado original, alargando ou retificando passagens, trocaram os belos canteiros e nichos por árvores imensas, descabidas para o tamanho da praçinha. E num ato ininteligível, abriu-se uma rua, na verdade, uma avenida, num dos contornos mais lindos e aconchegantes da praça.
Pobre praça Benedito Valadares, pobre pracinha dos tropeiros, pobre povo de Curvelo que fica à mercê de idéias malucas, descuido e desleixo. Sofia sonha com a reabilitação e restauração da pracinha, tal qual fora idealizada no seu projeto original e sonha subir ao palanque e cantar baixinho, mão no peito, sob a imaginária batuta do professor Sebastião Labanca: "Terra morena, terra querida, minha Curvelo, flor do sertão. Deste-me o encanto de tua vida, dou-te o carinho do coração. Minha Curvelo como te quero, ruas e praças, coisas e gente, povo operoso, franco e sincero..."

* Esta é uma obra de ficção! Qualquer inverossimilhança com a realidade histórica da cidade de Curvelo provavelmente é verdade!
** Curvelo não tem hino e esta música aprendida no Colégio Estadual Dr. Boliviar de Freitas, nos anos 70, é apenas uma canção de amor dedicada a cidade.







segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CURVELO: MEMÓRIAS.

CURVELO. PATRIMÔNIO E HISTÓRIA
Marina da Silva
Foto do álbum Filhos de Curvelo. Inauguração da Praça Benedito Valadares.

Morei em uma casa vendida a cooperativa, e ao ver tudo derrubado senti que minhas lembrançasi como se todo meu passado¨#foi embora E#"


Após  ler algumas observações de alguns "Filhos de  Curvelo" -  grupo  virtual de  cidadãos e cidadãs, moradores ou ausentes vivendo noutros sítios- sobre  a derrubada da   COOPERATIVA de Curvelo  para as novas instalações de um supermercado que trará progresso, emprego e  aumento de patrimônio aos investidores do empreendimento ( Bretas), resolvi escrever esse post para desmistificar a ideia de que coisa velha não traz lucro e riqueza!  De que "beleza" é fundamental para se proteger ou destruir um patrimônio histórico e outros mitos.
Curvelo, terra morena,  geologicamente deitada sobre um escudo cristalino, está no caminho do diamante, do ouro, do gado, dos tropeiros, comerciantes, muitos mascates vindos de províncias longínquas, fazendo parte da "Estrada Real"!
www.google.com.br/images
Muita história da Coroa Portuguesa, do Brasil e de Minas Gerais passa pelo município, até poucos anos conhecido como centro geográfico de Minas Gerais e tem, tratamento rigoroso, científico sobre "As nossas origens", O Padre Antonio Corvelo de Ávila e a Inconfidência de Curvelo de 1776" agora eternizada na obra Curvelo. Um lugar Colonial. dos autores Henrique Duarte Gutfraind, Élvia Maria Antônio e Geraldo Rodrigues Álvares.

Foto Marina da Silva. Diamantina, cidade tombada como PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE, recebe turistas do mundo inteiro para apreciar de perto as relíquias arquitetônicas e históricas do Brasil colonial.

Foto Marina da Silva. A Cooperativa de Curvelo em processo de demolição.

  •  "ainda bem que já tá no chão... conservadorismo é bom com o que faz bem à população... ficar olhando um prédio velho que só "beneficiou" alguns, não vai trazer melhoria nem desenvolvimento pra cidade... a cooperativa era o maior "elefante branco" que ainda estava "vivo" em Curvelo. É muito terreno ocioso pra manter como "museu de nostalgia"

    Foto Filhos de Curvelo. Era uma vez a Cooperativa: "o maior elefante branco" de Curvelo...




A derrubada da Cooperativa retrata muito bem a situação dos produtores rurais de Curvelo nos dias de hoje: desunidos, desorganizados, desamparados... sem uma identidade forte tal qual já foi aquele patrimônio"

Foto Marina da Silva. Prédio Rural ou Associação Mineira de Criadores do gado Zebu. Hoje Câmara Municipal, já foi também sede da Biblioteca Pública de Curvelo. Representa um período próspero de Minas Gerais e Curvelo. Quem não estudou sobre a República do Café com Leite onde o Brasil era governado por políticos de dois  ricos estados: São Paulo e Minas Gerais! E tem muiiiiiiiiiiiiito leite e muiiiiiiiiiiiiitos políticos mineiros nessa república! Para entender esse período da nossa história basta uma visita ao "Campo de Exposições onde cada ruralista tinha o nome da família gravado nas baias de exposição do gado. Muitos leilões, rodeios, shows sertanejos, luta vale-tudo , e até gravação de novela! A COOPERATIVA de Curvelo, feinha para alguns, fazia parte de uma história de pujança econômica dos mineiros e dos produtores rurais de Curvelo!


Foto Marina da Silva. Vista parcial da Cidade de Curvelo- Alto Santa Rita também conhecido como Alto do Barreiro.


 "Caminho de importância fundamental, de disseminação por rotas para toda capitania e paralela à regiaão onde estava acontecendo a decadência da mineração. Curvelo se faz importante por sim mesma dentro do contexto das Minas e também na visão da Coroa, que sentia seu poder fragmentado(...) Se não o for totalmente, não podemos deixar de valorizar esta postura de nossa gente miúda e dos potentados da região,porque dentro do complexo de formação urbana, Curvelo evoluiu rapidamente e quantos foram os lugares abandonados à sua prórpia sorte desde a profunda entrada da Bandeiras."  afirma Henrique Duarte gutfraind em Curvelo: um lugar colonial.


ALGUNS MOMENTOS DE "MUSEU DA NOSTALGIA".

COMPLEXO ARQUITETÔNICO DA FÁBRICA MARIA AMÁLIA  formado pela fábrica têxtil, vila operária, campo de futebol, capela, loja de venda de tecidos, clube, praça e coreto, grupo escolar. Esse ""arranjo" socio-espacial é fundamental para entendermos a lógica capitalista de "aglomeração" ou dinâmica centralizadora de recursos e mercado. Esse complexo está no contexto histórico da industrialização brasileira a partir da chegada de Getúlio Vargas ao poder nos anos trinta e da industrialização mineira nos anos quarenta do século XX.

Foto Marina da Silva. Clube Maria Amália. OLBM- Othon Luis Bezerra de Melo. Faz parte do Complexo arquitetônico da Fábrica de Tecidos Othon Luiz Bezerra de Melo, a primeira indústria têxtil de Minas Gerais. Recentemente REVITALIZADO pelos novos donos!


Foto Marina da Silva. A fábrica ou indústria têxtil OLBM recentemente REVITALIZADA com as cores da  do Complexo arquitetônico: azul e branco!

Foto Marina da Silva. O campo do Esporte Clube Maria Amália. Vários historiadores e outros cientistas registram a importância dos campos de futebol para o controle da população em eventos de aglomeração na época da ditadura. Curvelo possui vários campos de futebol: Campo do time da Bela Vista, campo do Clube Atlético de Curvelo, Campo do Curvelo, campo do Maria Amália  e ainda vários campinhos de várzea! Salve Tonhão, Derci e Dásio jogadores do Maria Amália que marcaram minha memória!
www.google.com.br/images O campo de futebol foi destruído e parte do terreno foi loteado e recebeu vias. Do time de futebol não dou notícias...

Foto Marina da Silva. Revitalizado nas cores azul e branco.

OUTRAS RELÍQUIAS


Foto Marina da Silva.  Casa das tias do amigo de infância Cocó.
Foto Marina da Silva. Antiga casa Sica.
Foto Marina da Silva. Casa na rua Pacífico Mascarenhas.
Foto Marina da Silva. Barraca de madeira parte do conjunto arquitetônico do Mercado. Agradeço ao proprietário a pose para foto.
Foto Marina da Silva. O mercado.
Foto Marina da Silva. Casa Luciano.

Para finalizar o post
Escola Municipal Dr. Viriato Diniz Mascarenhas ou Viriato. Corrijam-me se estiver errado o nome, mas Viriato foi um dos políticos de grande atuação em Minas gerais e Brasil.


Obrigada pela atenção: Marina da Silva, geógrafa-UFMG e que tem um enorme orgulho de ser Curvelana!
www.google.com.br/images











quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CURVELO.MG: Rogai por nós São Geraldo, São Geraldo!

CURVELO: UM CAMINHO DE IPÊS AMARELOS PARA UM SANTO!

www.google.com.br/images "Geraldo Magela era alfaiate e, desde criança, apresentava forte vocação para a santidade São Geraldo nasceu em 6 de abril de 1726, na cidade de Muro, na Província de Basilicata, na Itália, sob o nome de Geraldo Magela, sendo o quinto filho de um casal cujo pai era alfaiate e a mãe dona de casa. Aos cinco anos aparecia sempre em casa com um pão e, ao ser indagado, dizia ser presente de um menino. Sua mãe, curiosa com o fato, certo dia o seguiu e ficou maravilhada ao constatar que a criança brincava com o Menino Jesus que descia do colo da Madona, na Capela de Capotignano."

Marina da Silva

Ipês amarelos fazem parte da paisagem de Curvelo. Nas fazendas de gado leiteiro e/ou corte, nos pequenos sítios de repente o olhar se perde numa árvore coberta de flores amarelas, uma cor forte e vibrante, uma árvore repolhuda: é um ipê!
Foto Marina da Silva. Antiga Basílica, hoje Santuário de São Geraldo Magela.

Quase três décadas atrás era assim conhecido o caminho que levava  e lembrava o santo cultuado na cidade e no Brasil: São Geraldo Magela. Só que aos poucos outra árvore passou a dominar no pedaço: os eucaliptos, que iam crescendo e formando imensas florestas enquanto as siderúrgicas faziam cinza do Cerrado alimentando os fornos com preciosas espécies de várias cidades mineiras, com destaque para Montes Claros! 
Foto Marina da Silva. 

Plantar, uma empresa que se especializou  em siderurgia, eucaliptos, etc usou  e vendeu muito desse carvão do cerrado de muitas cidades mineiras. Hoje é raro ver pelas estradas aquela fila indiana de inúmeros caminhões de carvão, assim como também praticamente desapareceu a figura "caminhoneiro"! 

Foto Marina da Silva. Entrada para São José da Lagoa, distrito de Curvelo.

Imensas florestas homogêneas de eucalipto, geometricamente distribuídas pelas terras de Curvelo, Corinto, Felixlândia e, até nas montanhas de Diamantina o eucalipto vem dobrando a serra do Espinhaço, é rei e tem até estrada real! 
Foto Marina da Silva. Caminho para Diamantina.
Essa tal responsabilidade ambiental dos nossos governantes...


Foto Marina da Silva. Curvelo


MAS voltando aos ipês amarelos: na Oitava de São Geraldo de 2008/09 um celebrante lembrou a população da cidade e aos romeiros da beleza que era vir para Curvelo na época de  Agosto/outubro e ver os ipês amarelos marcando o caminho até o Santuário de São Geraldo e sugeriu que os cidadãos e cidadãs, civis, políticos, empresários recriassem esse caminho de ipês em homenagem ao santo.
Foto Marina da Silva. Curvelo

Recentemente fui a Curvelo para cumprir uns deveres e dei de cara com alguns ipês amarelos pelo caminho. Pequenos, singelos, impondo-se a imensidão das florestas de eucaliptos que por ser mais lucrativo do que vender leite ou carne está mudando a estrutura econômica, a geografia e paisagem de Curvelo.

Foto Marina da Silva. Curvelo

Comecei a contar: 1, 2, 3, 21...40, desci do carro e fotografei alguns, olhei pela janela do carro as duas margens e percebi que tinha mais ipês amarelos na margem esquerda em sentido a Curvelo.
Foto Marina da Silva

 Será o caminho para São Geraldo? Não sei. Apenas olhei, fotografei e exponho aqui, sem muita arte, o retorno dos ipês amarelos a Curvelo!
Agora...se eles irão resistir e virar árvores frondosas, repolhudas e bem amarelinhas contrastando com os eucaliptos só o tempo nos dirá e só São Geraldo Magela para os proteger! Rogo-vos São Geraldo, protegei os ipês amarelos de Curvelo!
Fotos Marina da Silva  12-09-2012.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

CURVELO/MG: A TERRA DE SÃO GERALDO!

AH, EU SOU CURVELO, COM MUITO ORGULHO, COM MUITO AMOR!


Fotos Marina da Silva. Santuário de São Geraldo Magela em Curvelo, Minas Gerais. Também conhecida, pelos habitantes mais antigos como a Basílica de São Geraldo.


CURVELO, NA VERDADE, TEM COMO PADROEIRO SANTO ANTÔNIO, DIZ A HISTÓRIA E É VERDADE, MAS...A CIDADE É CONHECIDA PELA PROFUSÃO DE ROMEIROS QUE VEM DE TODAS AS PARTES DO BRASIL PARA HOMENAGEAR  SÃO GERALDO E PAGAR PROMESSAS DE PEDIDOS ATENDIDOS POR DEUS ATRAVÉS DA AJUDA DO SANTO!
Elevada a Santuário, a antiga Basílica de São Geraldo, recebeu recentemente um processo de revitalização e iluminação que a deixou mais bonita. A igreja possui belos vitrais, pinturas que contam a vida de Geraldo, altares, retábulos, belas imagens de homens e mulheres que são exemplo de cristãos e foram agraciados com o título de santo e santa da igreja católica por dedicarem a vida a seguir o evangelho de Jesus. O santuário é belíssimo! 
Praça do Santuário de São Geraldo onde são realizadas as celebrações da OITAVA de São Geraldo; são oito dias de oração e louvor que culminam com "a festa" ou procissão de São Geraldo no último dia. A OITAVA de São Geraldo ocorre sempre no final de Agosto e início de Outubro. Na multidão sou apenas mais uma romeira agradecendo e muiiiiiiiiiiiiito a São Geraldo!
Vista do altar, a nave e porta de entrada.
Os vitrais sempre me distraiam nas missas da segunda-feira! Aberta diariamente, muitos vem aqui fazer suas orações, ter seu momento particular com Deus e com São Geraldo, para agradecer, para pedir. 

O piso da igreja também traz lindos detalhes. Desde os anos noventa que não mais se realiza casamentos no Santuário. Dei sorte, fui uma das últimas noivas-1990.
Não importando a crença, esse Santuário, igreja, templo, merece uma visita pela sua beleza, suas pinturas e obras de arte! O Santuário de São Geraldo foi fundado pelos padres redentoristas.


Festa de São Geraldo - 2012 - Curvelo MG


www.google.com.br/images. Procissão de São Geraldo. Milhares de romeiros de todo o Brasil "das arcadas do seu Santuário vão levar Graças mil, bençãos mil".

PARA AQUELES QUE NÃO CONSEGUIRAM PAGAR SUAS PROMESSAS DURANTE A OITAVA, A CIDADE COMEMORA O DIA DE SÃO GERALDO, 16 DE OUTUBRO, COM UM TRÍDUO: TRÊS DIAS DE ORAÇÕES E LOUVORES E PROCISSÃO! MUITOS ROMEIROS PREFEREM AS OITAVAS, MAS EXISTEM AQUELES QUE SÓ FREQUENTAM A CIDADE NO DIA DO SANTO!
www.google.com.br/images. A imagem de São Geraldo Magela.

"Pensando na mensagem do Evangelho de Jesus, nós temos uma imagem que encanta e seduz. É tua imagem pobre e humilde, nosso irmão bondoso São Geraldo a quem nós elevamos nossa simples oração: ROGAI POR NÓS SÃO GERALDO! SÃO GERALDO ROGAI POR NÓS!"

QUER SABER MAIS SOBRE CURVELO? VISITE O SITE http://prefeituradecurvelo.blogspot.com.br/p/historia.html